Ter um site no ar não significa necessariamente ter um site seguro.
Empresas estão cada vez mais dependentes de plataformas digitais para receber contatos, realizar vendas, armazenar informações, gerenciar clientes e executar processos internos. Com isso, uma falha que antes poderia representar apenas algumas horas de indisponibilidade hoje pode afetar vendas, dados de clientes e até a operação de um negócio.
Por isso, segurança digital deixou de ser uma preocupação exclusiva de grandes empresas. Ela precisa começar ainda na construção do projeto.
O que mudou na segurança das aplicações web?
A OWASP, uma das principais referências internacionais em segurança de aplicações, atualizou seu Top 10 em 2025.
Entre os riscos destacados estão problemas de controle de acesso, configurações inseguras, falhas relacionadas à cadeia de suprimentos de software, criptografia, injeção, design inseguro e autenticação.
Um ponto especialmente interessante é a configuração insegura, que subiu da quinta posição na edição de 2021 para a segunda na versão de 2025. OWASP Top 10
Isso mostra algo importante: nem sempre um sistema é comprometido porque utiliza uma tecnologia ruim. Muitas vezes, a tecnologia existe, mas foi configurada ou implementada de maneira inadequada.
Um site empresarial possui muito mais pontos de atenção do que parece
Imagine um site aparentemente simples.
Ele pode ter WordPress, plugins, formulários, banco de dados, painel administrativo, contas de usuários, integrações externas, APIs, ferramentas de análise, hospedagem e serviços de e-mail.
Cada componente aumenta as possibilidades do projeto — e também precisa ser administrado corretamente.
Em sistemas mais avançados, como lojas virtuais, CRMs e ERPs, a responsabilidade cresce ainda mais.
Nesses ambientes existem clientes, pedidos, valores, permissões, documentos e diferentes níveis de acesso.
É justamente por isso que segurança não deveria ser adicionada somente depois que o sistema estiver pronto.
Senha forte já não resolve tudo
Durante muito tempo, a principal orientação de segurança foi criar senhas complexas.
Elas continuam importantes, mas os métodos de autenticação estão evoluindo. Um exemplo são as passkeys, ou chaves de acesso.
Elas permitem autenticação utilizando recursos do próprio dispositivo, como biometria ou PIN, reduzindo a dependência das tradicionais combinações de usuário e senha.
Segundo a documentação técnica mantida pelo Google, passkeys podem simplificar o login e reduzir riscos relacionados a phishing e roubo de credenciais. web.dev
Isso aponta para uma tendência clara: segurança e experiência do usuário não precisam ser opostas. Uma boa implementação pode oferecer as duas.
Segurança também é controlar quem pode fazer o quê
Imagine um sistema comercial utilizado por vários funcionários. Todos deveriam conseguir excluir clientes? Alterar informações financeiras Modificar pedidos concluídos? Visualizar informações administrativas?
Provavelmente não. É aí que entra o controle de acesso.
Cada usuário deve possuir somente as permissões necessárias para executar sua função. Inclusive, controle de acesso quebrado continua aparecendo como o primeiro risco do OWASP Top 10:2025. OWASP Top 10
Em sistemas personalizados, isso pode significar criar diferentes perfis de usuário, registrar alterações importantes, limitar exclusões e manter histórico das operações.
Atualizações também fazem parte da segurança
Um erro comum é pensar que um site termina no momento da publicação. Na prática, ele entra em uma nova etapa.
CMS, plugins, bibliotecas, frameworks e outras dependências precisam ser acompanhados.
A edição de 2025 do OWASP inclusive ampliou a atenção para falhas na cadeia de suprimentos de software, considerando riscos que podem surgir nas dependências e na infraestrutura utilizada durante o desenvolvimento e distribuição de software. OWASP Top 10
Por isso, manutenção não deveria ser tratada apenas como correção de erros. Também é segurança preventiva.
Backup não substitui segurança — mas é indispensável
Um bom projeto precisa considerar o que acontece quando alguma coisa dá errado.
Backups periódicos ajudam na recuperação diante de falhas, erros humanos ou outros incidentes, mas devem fazer parte de uma estratégia maior.
É importante pensar em atualização, controle de acesso, autenticação, configuração do servidor, monitoramento, recuperação e proteção dos dados. Segurança funciona em camadas.
E a Inteligência Artificial?
A IA também começa a fazer parte dessa equação.
Empresas estão incorporando agentes, automações e modelos de IA em seus sistemas, criando novas integrações entre dados, APIs e aplicações.
Quanto maior a automação, maior precisa ser o cuidado com quais informações cada sistema pode acessar e quais ações ele está autorizado a executar.
O objetivo não deve ser conectar IA a tudo. Deve ser conectar inteligência aos processos certos, com limites e controles bem definidos.
Segurança precisa fazer parte do projeto desde o início
Um site profissional não deve ser avaliado apenas pelo que o usuário consegue enxergar. Existem duas estruturas acontecendo ao mesmo tempo.
A primeira é visível: identidade visual, navegação, conteúdo e experiência.
A segunda está nos bastidores: código, servidor, banco de dados, permissões, integrações, autenticação e segurança.
As duas precisam funcionar juntas. Por isso, desenvolver um projeto digital profissional significa pensar em design, tecnologia, experiência e segurança como partes da mesma estratégia.
A empresa pode enxergar apenas a interface. Mas é a estrutura por trás dela que sustenta todo o projeto.
